
* Ir.´. Wilson Filomeno:

* Ir.´. Wilson Filomeno:


Existimos neste planeta e vivemos cada qual sua vida, inserida em uma sociedade complexa e diversa. E algo chama particularmente a nossa atenção: curiosamente apesar de pertencermos há uma única espécie - a dos humanos – e coexistirmos apesar de todas as nossas diferenças raciais, sociais, políticas e religiosas - para citar apenas algumas - há uma semelhança intrigante entre nós:
Foto: Templo maçônico em Tokyo. Albert Camus, Já disse que as grandes idéias vem ao mundo mansamente, como pombas. Talvez, então, seja por isto que nós homens-maçons paramos por algumas horas em sessões semanais nos nossos Templos, e ouçamos com atenção, em meio as atribulações do cotidiano, uma silenciosa mensagem, nos transmitida por nossos símbolos e alegorias.Suavemente ela nos faz acordar para a vida, refletida na esperança da igualdade e da fraternidade.Nossa organização constituída oficialmente há 300 anos, assume uma identidade própria, que a torna destacada das pessoas que a fundaram e mesma daquelas que são seus componentes.Contudo, ela é revivificada por milhões de Macons, cujos atos e trabalhos, diariamente, vivenciam a verdade, sempre ameaçada, ao longo da história da humanidade.Nós cremos, que individualmente, a partir da vitória sobre nossas paixões e do controle de nossa vontade, possamos auxiliar na árdua construção social do mundo onde vivemos.E, rogamos ao Grande Arquiteto do Universo, que os símbolos gravados em nossos Templos, possam alimentar o esforço de cada um, nesta proposta de reflexão por parte de todos os homens, independente de suas religiões, para que se esforcem na tarefa de conhecer nossa teoria social, coletivamente muito importante, e que este gesto expresse e alimente os nossos esforços por um mundo melhor e mais fraterno.

”No presente, o homem se faz através da posse da razão Se as árvores e bestas selvagens crescem os homens, creia-me, moldam-se. Os que antigamente viviam em bosques, guiados pelas meras necessidades e desejos naturais, sem leis que os dirigissem e organizassem em comunidades, estavam mais próximos dos animais selvagens do que dos homens. Pois, pode-se demonstrar que não existe animal mais selvagem ou perigoso do que um homem que sempre atue por ambição, desejo, ira, inveja, ou mau gênio. Donde se pode concluir que aquele que não permite que seu filho seja instruído de forma conveniente, não é homem, nem filho de homem...A natureza, ao dar-nos um filho, vos presenteia com uma criatura rude, sem forma, a qual deveis moldar para que se converta em um homem de verdade. Se este ser moldado se descuidar, continuareis tendo um animal. Se, ao contrário, ele se realizar com sabedoria, eu poderia quase dizer que resultaria em um ser semelhante a Deus" - Erasmo de Roterdam Humanista holandês (1469-536), Erasmo foi uma das figuras marcantes do Renascimento. Conservou, não obstante, a característica medieval de escrever em Latim e não em sua própria língua, o que o teria colocado ao lado dos grandes “fundadores do idioma”, como Dante e Petrarca, Chaucer, Camões, Lutero... Dentre seus contemporâneos citam-se Maquiavel, Leonardo da Vinci, Michelangelo, Rafael, Lutero, Zwinglio, Paracelso, Rabelais, Calvino... Ordenado sacerdote, obteve do Papa Júlio II a dispensa dos votos e lançou as bases de uma nova teologia, fundada nos evangelhos. Com o início da Reforma, recusou-se a tomar o partido de Lutero, com o qual, depois de uma disputa de idéias, acabou rompendo definitivamente. Erasmo criticava igualmente a pretensão dos protestantes e a arrogância dos católicos. Acreditava no espírito tolerante e no amor ao conhecimento.
Nota: Pesquise na Internet e leia algumas de suas idéias, como no artigo: ASSIM FALOU A LOUCURA. Um dos sites: http://pt.shvoong.com/humanities/483644-elogio-da-loucura/
Os ideais do humanismo renascentista propõem o antropocentrismo; que é a idéia de o homem ser o centro de tudo. Isto se opunha ao teocentrismo, que era a idéia de que “Deus estava no centro de tudo”. Portanto, o humanismo renascentista encontrava-se centrado nos valores humanos. Caracterizava-se pela valorização do espírito humano e por um grande interesse focado na redescoberta de obras clássicas e literárias greco-romanas. Neste contexto, a escrita sobre a razão, de Erasmo de Roterdam, apresentada acima, expressa perfeitamente os ideais do humanismo renascentista, pois, ele anuncia nitidamente sua preocupação com a constante educação do homem, com base na sabedoria e na reflexão. Afirma, inclusive, que esta conduta poderá vir a tornar o homem um ser semelhante a Deus. Note-se que com esta afirmação, ele propõe a substituição clara de Deus pelo homem, afastando a grande influência religiosa exercida no homem medieval, que olhava o mundo e a natureza sempre tendo como referência Deus. O homem se descobre como um ser especial e com autonomia. E é através das idéias de Erasmo de Roterdam, que lhe é apresentada uma proposta de profunda reforma, utilizando como única arma a razão humana. Ele a exalta como aquilo que há de mais importante no homem e o inspira a repensar seus valores e os do mundo onde vive, de uma forma diferente e revolucionária.
Imagem acima: Homem Vitruviano (desenho de Leonardo da Vinci).