terça-feira, 12 de abril de 2011

INOVAÇÕES E PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: UMA RELAÇÃO REGULATÓRIA OU EMANCIPATÓRIA?


A visão da autora, apresentando um Projeto Político Pedagógico sob a ótica da inovação emancipatória ou edificante é instigante.

Afinal, criar regras, leis e regulamentos com o objetivo de se propor, ou melhor, de se impor um Projeto de Educação que será julgado a partir dos indicadores de desempenho e avaliação de resultados, deixando, porém, de fora, os professores, alunos e servidores técnico-administrativos, parece desarticulado e distante do sucesso, em função de seu principal eixo que é a "imposição" e o afastamento dos elementos necessários à construção.

Por outro lado, a proposta defendida pela pesquisadora da UNICAMP, Ilma Passos Alencastro Veiga[1], sob o tema:

INOVAÇÕES E PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: UMA RELAÇÃO REGULATÓRIA OU EMANCIPATÓRIA?

Remete a uma reflexão educacional importante, pois proporciona a união de todos os protagonistas da escola, os professores, alunos e servidores, ao redor do mesmo objetivo: a construção, a inclusão, o diálogo e a cooperação, na busca pela qualidade de ensino assumindo a liberdade e o andar com as próprias pernas. Isto porque, possibilita que todos os envolvidos na educação possam também se subdividir em grupos na execução de projetos menores, no entanto, integrantes do projeto como um todo.

Assim, o PPP na visão Emancipadora, apresenta-se como um projeto que inova sem romper, mostra o novo sem criticar o velho, articula-se ao que já existe e fornece um bom conjunto de instrumentos na busca da qualidade no ensino básico e superior na escola pública, privilegiando o ser, o saber e o agir.

A proposta pode ser lida no site abaixo:

http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a02v2361.pdf



[1] Doutora em Educação pela unicamp; pesquisadora associada sênior da Faculdade de Educação da UNB; professora visitante da FACED/UFU e pesquisadora do CNPQ.

quarta-feira, 2 de março de 2011

MAÇONARIA E A INTERNET.

Há alguns maçons que se posicionam contra a tecnologia, as informações da internet, os trabalhos rápidos feitos sem muito esforço, a pesquisa via Google.

São maçons à moda antiga. Eles vêm de uma época em que tudo isso era proibido. Havia pouco para se ler e a transmissão do conhecimento ficava restrita ao templo e as instruções clássicas, decifradas pelos mais antigos.

Eles defendem a participação ativa nos trabalhos, aproximando-se dos mestres e, em silêncio, ouvir o que falam, como falam, seus toques, palavras, marchas, enfim, viver intimamente no seio da loja e aprender com o tempo e a maturidade que ele traz.

Ao contrário do que possa parecer, estes são conselhos seguramente sábios. Mas, por outro lado, em pleno século XXI, o século da informação, a tecnologia representada pelo Google, já silueta popular e presente na vida de todos, pode ser de grande valia e uma ferramenta poderosa na pesquisa.

Sabemos que a maçonaria é uma escola do conhecimento, e que o maçom, procura por saberes relacionados à humanidade e ao viver em sociedade. São eles: o senso comum, o religioso, o filosófico, o artístico e o científico. Seu objetivo é o questionamento e a reflexão, em busca do autoconhecimento.

No entanto, as informações encontradas nessas áreas do conhecimento, devido a sua importância vital, necessitam ser fundamentadas. Esta é a única forma de se chegar há um resultado comprovadamente confiável e capaz de conduzir o pesquisador na direção certa.

Portanto, a produção da pesquisa, não pode se concentrar apenas na busca pelo tema desejável, no Google, e simplesmente ser transportado para um texto no já famoso Ctrl C” e “Crtl V” sem a devida leitura atenta e o estudo minucioso e responsável.

Em outras palavras, na Investigação Científica, defendida pelo filósofo grego Platão.

Isto posto, vale ressaltar que, de nada adiantará colher informações sem critério se o maçom não souber entendê-las, compará-las às instruções clássicas e organizá-las.

Enfim, na construção do conhecimento, a teoria, resultado da especulação, do estudo e da reflexão, deve estar criteriosamente em harmonia com a prática exercida no interior do templo e na vida profissional, familiar e social do mundo fora dele.

O estudo preciso, refletido, debatido e comparado, contribui para a construção individual de cada um e por extensão à construção social de todos.

Concluindo e atendendo a gregos e troianos, não há qualquer mal em se utilizar as ferramentas de pesquisa à disposição na grande rede mundial de informações.

Mas, por outro lado, há um mau incomensurável, naquele que se entrega à preguiça mental e insisti na indolência, e na prática lamentável e por vezes criminosa, do “copiar e colar”.

Esta sim, uma moléstia dos tempos modernos e que deve ser tratada como tal e combatida incansavelmente em todas as áreas do saber.

Afinal, você é um "pensador" ou um "clicador" ?





Imagem fonte: www.google.com.br/imagem

Para conhecer mais, acesse o link abaixo e leia o texto: "Uma panorâmica sobre a Maçonaria e a Internet". É de um Mestre Maçom da RESPEITÁVEL LOJA MESTRE AFFONSO DOMINGUES, jurisdicionada à GRANDE LOJA REGULAR DE PORTUGAL. O texto é bem construído e esclarecedor. Vale a pena e serve de exemplo para a boa função da Internet. Ele em Portugal e nós por aqui.

http://www.rlmad.net/rlmad-main/mmenu-pranchas/410-mac-inter.html


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O FUTURO DE UMA ILUSÃO.

(...) O processo real, porém, poderia ser o de que os ideais se formam depois das primeiras realizações possibilitadas pela cooperação de aptidões interiores e condições exteriores de uma cultura, e que essas primeiras realizações sejam então conservadoras pelos ideais para serem continuadas. A satisfação que os ideais oferecem aos membros da cultura é, portanto, de natureza narcísica. FREUD (2010, p. 50).

Extraí este trecho do livro que recebi de presente dos meus filhos, Jivago e Renan, no natal de 2010. O ensaio com o título “O futuro de uma ilusão”[1] foi escrito pelo pai da psicanálise Sigmund Freud[2].

A grande questão levantada aqui pelo grande pensador é: Qual o futuro da humanidade? Para ele a única forma do homem se organizar razoável e saudavelmente sobre a Terra, e livre de todas as ilusões, é realizando uma mudança radical nas formas de educação.

Entretanto, focando nossa atenção somente no texto acima, pode-se entender, após uma leitura atenta, que ele explica que os ideais, ou seja, os nossos projetos e objetivos surgem após o reconhecimento de nossas aptidões interiores.

Assim, a partir da identificação “daquilo” em que somos bons, é que determinamos em que área, em que campo ou atividade, poderemos direcionar nossos esforços.

Em outras palavras, um jovem com boas aptidões em Matemática e Física, se volta para profissões que se apóiam nessas ciências exatas como seus pilares.

Dito isto, vamos ver com o auxilio de uma “lupa” esta observação finalizada pelo psicanalista:

A satisfação que os ideais oferecem aos membros da cultura é, portanto, de natureza narcísica”.

O narcisismo tem o seu nome derivado de Narciso, e ambos derivam da palavra Greganarke, "entorpecido" de onde também vem a palavra narcótico.

Assim, para os gregos, Narciso simbolizava a vaidade e a insensibilidade, visto que ele era emocionalmente entorpecido às solicitações daqueles que se apaixonaram pela sua beleza.

Mas, Narciso, não simboliza apenas mera negatividade: "o mito de Narciso representa (senão para os gregos ao menos para nós) o drama da individualidade"; "ele mostra, isto sim, a profundidade de um indivíduo que toma consciência de si mesmo" em si mesmo e perante a si mesmo, ou seja, no lugar onde experimenta os seus dramas humanos (Cf.Bibliografia, Spinelli, Miguel, p.99).

Deste modo, é possível interpretar essa proposição de duas formas:

Na primeira, que o jovem do exemplo acima, vaidoso e com suas emoções entorpecidas com os bons resultados em ciências exatas, decidiu orgulhoso, aplicá-las na vida prática, formando-se na nobre profissão de engenharia.

Na segunda, que ele é tomado pela consciência de si mesmo. E por esta razão, percebe com clareza e com serenidade, o caminho que deve trilhar. Visão segura e decisão sábia, pois é proporcionada por um espírito liberto e construído dentro do seu "eu" interior.

E aqui voltamos, como já o fizemos inúmeras vezes, ao “nosce te ipsum”, (conhece-te a ti mesmo), de Sócrates, inscrição do Templo Grego de Delphus.

O que nos leva a “Câmara de Reflexão”, e a mensagem em sua parede: V.I.T.R.I.O.L..

O maçom atento sabe que se trata da sigla da expressão latina "Visita Interiorem Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem", que quer dizer:

Visite o Centro da Terra, Retificando-te, encontrarás a Pedra Oculta (ou Filosofal).

Filosoficamente ela quer dizer: Visite o Teu Interior, purificando-te, encontrarás o teu eu Oculto, ou, "a essência da tua alma humana".

Esta mensagem, originalmente da cultura universal, foi trazida para os templos maçônicos, e significa a constante busca do homem para melhorar a si mesmo e a sociedade em geral.

Ora, o psicanalista escrevera em alemão, e todas as traduções dessa língua são extremamente difíceis, haja vista, as dificuldades dos tradutores, em encontrar expressões na língua portuguesa que possam fornecer interpretações fiéis aos textos originais.

Mesmo assim, não me parece o caso, que o tradutor deste ensaio Renato Zwick, tenha tido qualquer trabalho com a palavra alemã para “narcísia”.

Mesmo por que, logo a frente, ele traduz:

(...)ela repousa sobre o orgulho da realização que já foi bem-sucedida(...)

Arrisco-me então a concluir que, o entendimento deste texto é direcionado ao campo das vaidades, como na primeira proposição.

Todavia, reservo para mim a segunda proposição, que considero particularmente, mais nobre e mais edificadora, portanto mais maçônica, já que somos homens-maçons, cuja missão é a construção de nosso eu interior.

O que consiste, em se erguer um edifício adequado para o desenvolvimento espiritual e social de cada um de nós.

Criando, desta forma, um ambiente social onde cada um, individualmente, possa exercer e aplicar suas aptidões, visando o seu crescimento e por extensão o de seus iguais: a humanidade.

[1] Neste livro, publicado em 1927, Freud procura analisar a origem da necessidade do ser humano de ter uma crença religiosa na sua vida.Editora L&PM POCKET.

[2]Sigismund Schlomo Freud (6 de maio de 1856 23 de setembro de 1939[3]), mais conhecido como Sigmund Freud, foi um médico neurologista austríaco e judeu, fundador da psicanálise.

Imagem do narcísio retirada do site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Michelangelo_Caravaggio_065.jpg Acessado em 21 01 11 ás 18:17.

Imagem de Freud do site: http://psicdesenv.webnode.com.pt/temas/personalidades/sigmund-freud/ Acessado em 21 01 11 ás 18:53


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PORQUE AS PESSOAS SÃO DIFERENTES ENTRE SI ?

Para responder a questão, devemos nos ater a psicologia:

A etimologia da palavra psicologia (em grego: psiche = alma, logos = razão/conhecimento) significa conhecimento da alma, ou “estudo da alma”.

Pode ser dito então, que trata-se de uma área do conhecimento que dedica-se ao estudo científico do psiquismo, objetivando compreender o funcionamento humano, manifesto pelos estudos do comportamento, dos processos psicológicos, da personalidade, da consciência e da subjetividade.

A Psicologia Social é uma área específica e especial da Psicologia que busca compreender e estudar as interações humanas, suas influencias e suas manifestações comportamentais provocadas pela influência mútua de uma pessoa com outras, ou pela mera expectativa de tal interação.

É considerada de tal importância que sua atuação se dá em todas as especialidades da psicologia: da Educação e Escolar, da Organizacional e do Trabalho, da Clínica, da Jurídica, do Trânsito e do Esporte. E conforme (LANE CODO E OUTROS, 2001, p.19. descrito no LIVRO DE PSICOLOGIA SOCIAL, UNISUL):

“A Psicologia Social poderá responder à questão como o homem é sujeito de sua História e transformador de sua própria vida e da sua sociedade, assim como qualquer outra área da Psicologia".

A atividade, mediação e linguagem são unificadoras da relação entre sujeito e sociedade, porque envolve a importante questão: A sociedade constitui o homem, ou é este que a constitui? Como este processo ocorre?

Partindo da descrição, de que Marx faz uso do materialismo histório dialético para explicar a história da consciência humana, e defende assim, que o processo de trabalho é a principal atividade humana desde os primórdios da humanidade, pode-se compreender muito bem o duplo processo indicado:

"Transformação do meio natural para satisfazer suas necessidades de sobrevivência, ao mesmo tempo que transformaram a si próprios, uma vez que mudanças corporais e psicológicas profundas ocorreram nos seres humanos".

No texto de Serrão (2006,p.89-90) O gênero humano, ao produzir sua existência, o fez e ainda o faz necessariamente estabelecendo relações com outros seres humanos e com a natureza, da qual também é partícipe.

É importante mencionar a citação de Engels (s.d., p. 272):

"Primeiro o trabalho, e depois dele e com ele a palavra articulada, foram os dois estímulos principais sob cuja influência o cérebro do macaco foi-se transformando gradualmente em cérebro humano – que, apesar de toda sua semelhança, supera-o consideravelmente em tamanho e perfeição".

Ainda fundamentado em Marx, Leontiev defende que o psiquismo humano, desde seu nascimento e por toda sua vida, se forma pelo desenvolvimento de atividades ditas material externa e psicológica interna. Isto porque, segundo o autor, a estrutura da atividade está organizada pressupondo:

· A existência de um sujeito que atua sobre um objeto e

· É impulsionado por motivos para a realização de um objetivo.

Movida pelos objetivos, a atividade é sempre orientada para algo ou alguém, como um movimento resultante das necessidades (ou interesses) internas e externas dos sujeitos.

A mediação como unificadora da relação entre sujeito e objeto, ocorre pela utilização de instrumentos, que viabilizará a transformação no meio material, entre o homem e a natureza (externo) “de fora”.

O signo assume um sentido contrário, ou seja, (interno) “de dentro”, dirigido ao domínio do próprio homem. Serve de veículo para as operações psíquicas.(ver Simbologia na Maçonaria)

Já a Linguagem, constitui o mais amplo sistema simbólico existente, tratando-se como o principal instrumento mediador entre o o sujeito e o mundo objetivo, no processo de constituição do psiquismo humano.

O Psiquismo Humano é o objeto a Psicologia, buscando compreender como se dá a construção deste a partir das relações sociais vividas pelo homem. Para compreender o psiquismo Humano, é necessário estudar a atividade, mediação, linguagem e o método dialético. Isto porque ele é formado pela:

· relação dialética entre o sujeito e a sociedade

· pela realização de atividades e pela utilização da linguagem

· a consciência e personalidade

Descrever sobre o Psiquismo Humano, é um grande trabalho, já que demanda um enorme esforço de análise do homem. Para iniciar, penso que bastaria uma busca no próprio interior, e para tanto, bastaria nos conhecermos.

Todavia, nisto reside o grande problema, pois o que somos, foi determinado pela "atividade" que realizamos em toda a nossa existência humana. E claro, na forma como estabelecemos uma intercessão com a vida.

E vai mais além de analisar simplesmente quais os instrumentos que utilizamos, mas também em avaliar quais as transformações que provocamos no meio material e que tipo de transformações internas, psicológicas, mentais, ocorreram em função dos signos que nos foram apresentados ou escolhidos.

Finalmente, identificar e entender a linguagem que fundamentou e desenvolveu a natureza de nossas funções psicológicas superiores.

Por tanto, é certo concluir que, os aspectos citados aqui, quando dissecados, observados, analisados de forma científica, quase matemática, esclarecem profundamente por que as pessoas são diferentes entre si, no quesito “sujeito x sociedade”.

Em outras palavras, mostram claramente, o caminho a ser seguido para compreender o "psiquismo" de cada um, baseando-se no estudo da atividade, mediação e linguagem desenvolvida e/ou imposta pela vida em sociedade de cada pessoa, no decorrer de suas vidas.

nosce te ipsum...

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Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual erevolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna, que atuou como economista, filósofo, historiador,teórico político e jornalista.

Friedrich Engels (Barmen, 28 de novembro de 1820Londres, 5 de agosto de 1895) foi um teórico revolucionárioalemão que junto com Karl Marx fundou o chamado socialismo científico ou marxismo. Ele foi coautor de diversas obras com Marx, sendo que a mais conhecida é o Manifesto Comunista. Também ajudou a publicar, após a morte de Marx, os dois últimos volumes de O Capital, principal obra de seu amigo e colaborador.

Alexei Nikolaevich Leontiev (em russo: Алексей Николаевич Леонтьев) (19031979) foi um psicólogo russo. A partir de 1924, depois de graduar-se em Ciências Sociais, aos vinte anos, Leontiev passou a trabalhar com Lev Vygotsky. Foi relevante a sua participação na proposição de construção de uma psicologia cultural-histórica.

Bibliografia dos pensadores acima, disponíveis no site: http://pt.wikipedia.org/ Acessado em 17 Jan 11 às 21:45.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O VERÃO É SEMPRE VERÃO. A MENTE...

Conforme Arga[1]: (...)nos “provérbios da Holanda”, Bruegel recolhe a voz do povo e ilustra com perfeita fidelidade exemplos que não são da sabedoria antiga, mas da eterna ignorância. [pintura acima]

Ele quer dizer, que o mundo sempre andou do mesmo jeito, considerando os mesmos preconceitos, com os mesmos enganos e mesmos pecados. E assim será sempre.

E nisso resume-se o seu realismo moral: "aceitar o homem exatamente como ele é, fraco e com todos os seus preconceitos e misérias".

E isto me remete nesta tarde de verão, àquelas de minha mocidade, quando moço de quatorze anos ou menos, que enfadado nas tardes de verão, quentes e silenciosas, buscava com a mente em chamas, algo que trouxesse proveito e ajudasse a passar o tempo.

Contudo, lá na cidade de Londrina, naqueles anos sem opções, apenas tendo como companheiros, o tédio e o ócio, restava-me a tarde toda para vagar, viajar e descansar, nas páginas dos livros de Monteiro Lobato e outros gênios da literatura.

Hoje, tantos anos depois, em uma tarde de verão idêntica, quente e silenciosa, entre ir à praia logo à frente, à piscina logo ao lado ou ainda, repassar de carro, como era o verão há 300 anos, no Ribeirão da Ilha, acabo por optar novamente pela leitura, desta feita por um livro sobre Educação, escrito pelo educador mineiro Rubem Alves.

É interessante como a Alma altera a concepção dos momentos. O verão naquele tempo continua, hoje em dia, a ser verão. No entanto, é desigual a concepção do verão atual.

Não obstante, ao que falam os chatos dos ecologistas, e os maçantes dos saudosistas, o verão é o mesmo, nós é que nos metamorfoseamos, na tentativa de encontrarmos nossas verdades.

Nossa alma é a mesma, com as mesmas ansiedades e necessidades.

Todavia, nossos olhos enxergam menos, nossos corpos mais lentos, nossa pele mais franzida, nossa esperança menor, nosso coração maior...

Em outras palavras, se por um lado, nossa mente abriga mais informação e muito mais conhecimento, por outro, guarda muito menos sabedoria e ainda muito menos entendimento.

Porque apesar de estender-se por um número maior de assuntos e variados temas, não esquece aquelas silenciosas e quentes tardes de verão que continuam próprias para o tédio e para o ócio, próprias para vadiar, e se aventurar nas mágicas linhas de um texto filosófico...

Principalmente para um adulto como eu, que apesar dos anos, ainda não aprendeu...

FAÇAM TODOS UM BOM ANO NOVO!

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Dedico esta recordação, nestas palavras de reflexão: à minha Mãe, cuja imagem de seu belo rosto, também não mudará, pois se fixou para sempre em minha mente, depois de adormecida em seus sessenta e oito anos... Que DEUS a abençoe!

[1]Giulio Carlo Argan (Turim, 1909 — Roma, 1992) foi historiador e teórico da arte italiano.

http://rafaelgomes.blogspot.com/2009_01_01_archive.html acessado em 30 12 2010 às 13:37


quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

COMO ADMINISTRAR UM ESTADO? E UMA LOJA?

Sabemos que há pelo menos três formas conhecidas historicamente, a saber:

Uma delas é a monarquia, onde o comando é realizado por um único chefe de estado.

Desta forma, teríamos uma Loja comandada exclusivamente pelo Ven\M\. E a ele se atribuiria o planejamento e execução de todo o contexto maçônico pertinente aos seus membros.

Entretanto, ela pode se degenerar e se transformar em “tirania”, tornando-se uma administração, sob o comando de um chefe único, que age em proveito próprio.

A outra é a aristocracia ou oligarquia, nesta um grupo de pessoas soberanas governa o estado.

Sob o ponto de vista aqui tratado, um grupo de MM\II\ em conjunto com o Ven\M\ e os VVig\, se ocuparia dos assuntos acima distinguidos. Deste modo, o detentor do "primeiro malhete", seria o responsável por presidir e executar as decisões acertadas, em reunião de foro íntimo.

Todavia, aqui também há de se correr o risco, de que este modelo de administração, se volte a atender os interesses próprios de poucos.

A terceira é a democracia - bem conhecida de todos nós - é aquela em que a administração provém de todos, por todos e para todos. Em outras palavras, toda matéria que é objeto desta reflexão, passaria a ser debatida e decidida em assembléias, em que haveriam de se reunir a maioria dos membros ativos.

E aqui, outro grande risco, uma democracia pode vir a se tornar o que conhecemos bem em política, e que se defini pelo termo de “domínio de classe”.

Neste “domínio de classe” e somente quando ele ocorre, a Loja estaria sob comando irrestrito. Em outras palavras, os membros da loja se tornariam os senhores absolutos dos assuntos internos e externos, presentes e futuros.

De tal modo, também contraproducente, pois circunstancialmente, a administração é levada - com o inevitável enfrentamento - à total desordem política.

Por outro lado, o homem é um ser político e social e o que realmente quer, é ser feliz. De fato, é na verdade, o que lhe interessa. E de que outra forma encontrar a felicidade, se não, por meio do exercício da virtude?

Procurar o equilíbrio, entre opiniões e decisões e a moderação das paixões e da vontade, certamente é o único caminho capaz, de nos conduzir ao encontro do ponto ideal de comunhão, com nossos iguais.

Deste modo, independentemente do sistema político adotado, seguramente se encontrará um ambiente adequado à busca incansável pelo conhecimento.

Razão única de nossa presença no templo e em loja composta!

QUE ASSIM SEJA!