quarta-feira, 18 de maio de 2011

O QUE OS MAÇONS ACHAM: O ENSINO SUPERIOR DEVE FORMAR TAMBÉM O CIDADÃO?

Esta pergunta me foi feita por um estudante universitário.

Vale aqui, uma pequena retrospectiva da história da educação no Brasil:

A Escola Nova, [proposta na década de 70] não se contrapôs ao sistema político e econômico praticado no Brasil, e traça seu plano de trabalho na educação, visando os interesses do capitalismo.

Outra característica importante foi e ainda é o papel da escola, enquanto integralizadora do indivíduo na sociedade; apesar de não tentar reformulá-la, mantendo-se o regime capitalista predominante até os dias de hoje.

Desta forma, a Escola Nova, não substituiu a escola tradicional e manteve a essência da pedagogia liberal, que coloca a escola na posição de preparadora dos indivíduos para cumprir papéis sociais, adaptando-se, porém, as regras vigentes na sociedade que não leva em conta a desigualdade de condições e mesmo assim difundi a idéia de igualdade de oportunidades.

Precisamente por isto, prevalecem os diferentes tipos de educação, dividida em ensino público e particular; o primeiro preparando o aluno na educação elementar e o capacitando para o trabalho como característica da pedagogia liberal; e o segundo, o ensino dito “elitizado” com base na educação cultural e que conta com maiores recursos traduzidos em laboratórios, oficinas, professores mais capacitados e ambientes que possibilitem as atividades práticas e em grupo.

Com isto, conseguem potencializar as qualidades individuais de seus alunos, preparando-os para se tornarem empreendedores e novos líderes.

Entretanto, vale repetir: respeitando e se adaptando ao ambiente sócio-econômico predominante na sociedade capitalista.

Acredito que a solução está na diferença entre o aluno e o estudante. Enquanto o primeiro prepara-se para aquilo que lhe tentam ensinar o outro de “olhos abertos” aprende pelo exercício da pesquisa e do estudo, indagação e crítica, e voltar-se-á para a educação e a cultura, de cunho filosófico. Estes sim, os verdadeiros pilares do cidadão que devidamente formado ocupará o seu lugar na sociedade social e política. Exercendo finalmente, todos os direitos e deveres que lhe cabem pela Constituição.

Isto posto, e em resposta a questão levantada pelo jovem universitário, devo dizer que: tendo como referência a minha formação em educação, somada as idéias da maçonaria de transformar homens bons em melhores, verdadeiros "Construtores Sociais", e equalizando essas idéias à realidade praticada no dia-a-dia de nosso país... SIM!

O ensino superior deve formar o cidadão, refletido em uma ação integradora entre técnica-ética-cidadania, que dentre os seus direitos garantidos, também tem aquele de estar apto para o mercado de trabalho. E que por esta simples razão, não podem ser valores excludentes. Ao contrário, são circulares e se completam.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

O QUE A MINHA LOJA ENSINA, É O QUE O NEÓFILO QUER APRENDER ?

Posso reconstituir um retrato crítico, apresentando algumas facetas de cada sessão em câmara de instrução, como pequenas faces regulares de uma pedra lapidada.

Em outras palavras: a pedra a ser trabalhada, é apresentada na figura do neófilo que, deve projetar-se além do templo [profanun].

O mestre como o mediador de Paulo Freire(1), deve personificar-se definitivamente, como aquele que, ao invés de transmitir conteúdos, mobiliza-os com o objetivo não apenas de alcançar o neófilo, mas, de inspirá-lo a se voltar à pesquisa, ao pensamento, ao estudo, ao debate e à reflexão crítica.

Para tanto, deve entender a complexidade do ensino, a partir do entendimento do sistema instrucional e da análise dos elementos que compõem a organização do trabalho pedagógico.

Desta forma, aplicando o conceito e o currículo adequado ao ensino maçônico, refletir acerca do planejamento da leitura das instruções clássicas, dos debates dos complementos e facículos e, finalmente compreender, o conceito pedagógico do sistema histórico filosófico aplicado à maçonaria.

Como fórmula de possibilitar tal emprego ao ensino maçônico, deve o mestre, aplicar a “ignorância socrática”, ao refletir sobre si próprio[nosce te ipsum], na busca de conhecer-se melhor e encontrar motivação para renovar esforços em direção ao estudo e a busca de novos conhecimentos.

Finalmente, o mestre deve cercar-se do pensamento e do trabalho coletivo, contraposto ao individual, e sob a sua liderança - agora renovada e atual - trabalhar incansavelmente para encontrar uma resposta à impiedosa, mas salutar questão:


O que a minha loja e eu ensinamos,
é o que o neófilo quer aprender?

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Paulo Reglus Neves Freire (Recife,1921 — São Paulo,1997) foi um educador e filósofo brasileiro. Destacou-se por seu trabalho na área da educação popular. Autor de “Pedagogia do Oprimido”, um método de alfabetização dialético. É considerado um dos pensadores mais notáveis na história dapedagogia mundial[1], tendo influenciado o movimento chamado pedagogia crítica. fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Paulo_Freire

quarta-feira, 20 de abril de 2011

A EDUCAÇÃO E A RÉGUA DE 24 POLEGADAS



O Planejamento Participativo ou em outras palavras - sua opinião vale muito e vamos construir coletivamente a realidade – remete nitidamente à preparação de um projeto, cujo sucesso, dependerá essencialmente da sua organização.

As palavras de Pat Tillman(1): “Disciplina é a ponte que liga nossos sonhos às nossas realizações”, descrevem claramente o caminho a ser seguido pelo educador.

Ao determinarmos o objetivo a ser alcançado, reunir o material necessário e planejar nossas atividades dividindo as 24 horas de nosso dia,(Ap\M.\) em períodos que favoreçam: o descanso, o trabalho, a pesquisa/estudo, a reflexão filosófica, e outras ocupações necessárias ao bom funcionamento de nosso organismo e do intelecto, certamente nos auxiliará a suportar a longa caminhada que separa o objetivo da meta.

Assim, preparar para vencer, acompanhar os esforços, insistir, motivar, influenciar através da atitude pessoal e profissional, acreditar que há mais potencial do que julgamos existir, permutar o pensamento único pelo coletivo, considerando-se sempre que a sabedoria está em corrigir falhas e não em encontrar o culpado,(M\M\)levará a educação – estudar, pesquisar, debater – ao resultado que tanto se busca: o aprendizado.

Sem a pretensão de resumir, mas com a intenção de melhor explicitar a linha central do texto que é o de entender que para alcançar algum lugar, temos que seguir um planejamento e este deve ser sistemático, posso, por exemplo, iniciar-me a partir destas perguntas:

1. Onde quero ir?

2. Qual o caminho que devo seguir?

3. Quais os materiais que precisarei reunir?

4. Quanta energia estou disposto a empregar nessa excursão?

5. Quanto tempo vou dispor para essa caminhada?

6. E finalmente, a reflexão filosófica: ESTOU PREPARADO?

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(1)Ex-jogador de futebol americano, morto na guerra de 2004 no Afeganistão.


terça-feira, 12 de abril de 2011

INOVAÇÕES E PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: UMA RELAÇÃO REGULATÓRIA OU EMANCIPATÓRIA?


A visão da autora, apresentando um Projeto Político Pedagógico sob a ótica da inovação emancipatória ou edificante é instigante.

Afinal, criar regras, leis e regulamentos com o objetivo de se propor, ou melhor, de se impor um Projeto de Educação que será julgado a partir dos indicadores de desempenho e avaliação de resultados, deixando, porém, de fora, os professores, alunos e servidores técnico-administrativos, parece desarticulado e distante do sucesso, em função de seu principal eixo que é a "imposição" e o afastamento dos elementos necessários à construção.

Por outro lado, a proposta defendida pela pesquisadora da UNICAMP, Ilma Passos Alencastro Veiga[1], sob o tema:

INOVAÇÕES E PROJETO POLÍTICO-PEDAGÓGICO: UMA RELAÇÃO REGULATÓRIA OU EMANCIPATÓRIA?

Remete a uma reflexão educacional importante, pois proporciona a união de todos os protagonistas da escola, os professores, alunos e servidores, ao redor do mesmo objetivo: a construção, a inclusão, o diálogo e a cooperação, na busca pela qualidade de ensino assumindo a liberdade e o andar com as próprias pernas. Isto porque, possibilita que todos os envolvidos na educação possam também se subdividir em grupos na execução de projetos menores, no entanto, integrantes do projeto como um todo.

Assim, o PPP na visão Emancipadora, apresenta-se como um projeto que inova sem romper, mostra o novo sem criticar o velho, articula-se ao que já existe e fornece um bom conjunto de instrumentos na busca da qualidade no ensino básico e superior na escola pública, privilegiando o ser, o saber e o agir.

A proposta pode ser lida no site abaixo:

http://www.scielo.br/pdf/ccedes/v23n61/a02v2361.pdf



[1] Doutora em Educação pela unicamp; pesquisadora associada sênior da Faculdade de Educação da UNB; professora visitante da FACED/UFU e pesquisadora do CNPQ.

quarta-feira, 2 de março de 2011

MAÇONARIA E A INTERNET.

Há alguns maçons que se posicionam contra a tecnologia, as informações da internet, os trabalhos rápidos feitos sem muito esforço, a pesquisa via Google.

São maçons à moda antiga. Eles vêm de uma época em que tudo isso era proibido. Havia pouco para se ler e a transmissão do conhecimento ficava restrita ao templo e as instruções clássicas, decifradas pelos mais antigos.

Eles defendem a participação ativa nos trabalhos, aproximando-se dos mestres e, em silêncio, ouvir o que falam, como falam, seus toques, palavras, marchas, enfim, viver intimamente no seio da loja e aprender com o tempo e a maturidade que ele traz.

Ao contrário do que possa parecer, estes são conselhos seguramente sábios. Mas, por outro lado, em pleno século XXI, o século da informação, a tecnologia representada pelo Google, já silueta popular e presente na vida de todos, pode ser de grande valia e uma ferramenta poderosa na pesquisa.

Sabemos que a maçonaria é uma escola do conhecimento, e que o maçom, procura por saberes relacionados à humanidade e ao viver em sociedade. São eles: o senso comum, o religioso, o filosófico, o artístico e o científico. Seu objetivo é o questionamento e a reflexão, em busca do autoconhecimento.

No entanto, as informações encontradas nessas áreas do conhecimento, devido a sua importância vital, necessitam ser fundamentadas. Esta é a única forma de se chegar há um resultado comprovadamente confiável e capaz de conduzir o pesquisador na direção certa.

Portanto, a produção da pesquisa, não pode se concentrar apenas na busca pelo tema desejável, no Google, e simplesmente ser transportado para um texto no já famoso “Ctrl C” e “Crtl V” sem a devida leitura atenta e o estudo minucioso e responsável.

Em outras palavras, na Investigação Científica, defendida pelo filósofo grego Platão.

Isto posto, vale ressaltar que, de nada adiantará colher informações sem critério se o maçom não souber entendê-las, compará-las às instruções clássicas e organizá-las.

Enfim, na construção do conhecimento, a teoria, resultado da especulação, do estudo e da reflexão, deve estar criteriosamente em harmonia com a prática exercida no interior do templo e na vida profissional, familiar e social do mundo fora dele.

O estudo preciso, refletido, debatido e comparado, contribui para a construção individual de cada um e por extensão à construção social de todos.

Concluindo e atendendo a gregos e troianos, não há qualquer mal em se utilizar as ferramentas de pesquisa à disposição na grande rede mundial de informações.

Mas, por outro lado, há um mau incomensurável, naquele que se entrega à preguiça mental e insisti na indolência, e na prática lamentável e por vezes criminosa, do “copiar e colar”.

Esta sim, uma moléstia dos tempos modernos e que deve ser tratada como tal e combatida incansavelmente em todas as áreas do saber.

Afinal, você é um "pensador" ou um "clicador" ?





Imagem fonte: www.google.com.br/imagem

Para conhecer mais, acesse o link abaixo e leia o texto: "Uma panorâmica sobre a Maçonaria e a Internet". É de um Mestre Maçom da RESPEITÁVEL LOJA MESTRE AFFONSO DOMINGUES, jurisdicionada à GRANDE LOJA REGULAR DE PORTUGAL. O texto é bem construído e esclarecedor. Vale a pena e serve de exemplo para a boa função da Internet. Ele em Portugal e nós por aqui.

http://www.rlmad.net/rlmad-main/mmenu-pranchas/410-mac-inter.html


sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O FUTURO DE UMA ILUSÃO.

(...) O processo real, porém, poderia ser o de que os ideais se formam depois das primeiras realizações possibilitadas pela cooperação de aptidões interiores e condições exteriores de uma cultura, e que essas primeiras realizações sejam então conservadoras pelos ideais para serem continuadas. A satisfação que os ideais oferecem aos membros da cultura é, portanto, de natureza narcísica. FREUD (2010, p. 50).

Extraí este trecho do livro que recebi de presente dos meus filhos, Jivago e Renan, no natal de 2010. O ensaio com o título “O futuro de uma ilusão”[1] foi escrito pelo pai da psicanálise Sigmund Freud[2].

A grande questão levantada aqui pelo grande pensador é: Qual o futuro da humanidade? Para ele a única forma do homem se organizar razoável e saudavelmente sobre a Terra, e livre de todas as ilusões, é realizando uma mudança radical nas formas de educação.

Entretanto, focando nossa atenção somente no texto acima, pode-se entender, após uma leitura atenta, que ele explica que os ideais, ou seja, os nossos projetos e objetivos surgem após o reconhecimento de nossas aptidões interiores.

Assim, a partir da identificação “daquilo” em que somos bons, é que determinamos em que área, em que campo ou atividade, poderemos direcionar nossos esforços.

Em outras palavras, um jovem com boas aptidões em Matemática e Física, se volta para profissões que se apóiam nessas ciências exatas como seus pilares.

Dito isto, vamos ver com o auxilio de uma “lupa” esta observação finalizada pelo psicanalista:

“A satisfação que os ideais oferecem aos membros da cultura é, portanto, de natureza narcísica”.

O narcisismo tem o seu nome derivado de Narciso, e ambos derivam da palavra Greganarke, "entorpecido" de onde também vem a palavra narcótico.

Assim, para os gregos, Narciso simbolizava a vaidade e a insensibilidade, visto que ele era emocionalmente entorpecido às solicitações daqueles que se apaixonaram pela sua beleza.

Mas, Narciso, não simboliza apenas mera negatividade: "o mito de Narciso representa (senão para os gregos ao menos para nós) o drama da individualidade"; "ele mostra, isto sim, a profundidade de um indivíduo que toma consciência de si mesmo" em si mesmo e perante a si mesmo, ou seja, no lugar onde experimenta os seus dramas humanos (Cf.Bibliografia, Spinelli, Miguel, p.99).

Deste modo, é possível interpretar essa proposição de duas formas:

Na primeira, que o jovem do exemplo acima, vaidoso e com suas emoções entorpecidas com os bons resultados em ciências exatas, decidiu orgulhoso, aplicá-las na vida prática, formando-se na nobre profissão de engenharia.

Na segunda, que ele é tomado pela consciência de si mesmo. E por esta razão, percebe com clareza e com serenidade, o caminho que deve trilhar. Visão segura e decisão sábia, pois é proporcionada por um espírito liberto e construído dentro do seu "eu" interior.

E aqui voltamos, como já o fizemos inúmeras vezes, ao “nosce te ipsum”, (conhece-te a ti mesmo), de Sócrates, inscrição do Templo Grego de Delphus.

O que nos leva a “Câmara de Reflexão”, e a mensagem em sua parede: V.I.T.R.I.O.L..

O maçom atento sabe que se trata da sigla da expressão latina "Visita Interiorem Terrae, Rectificandoque, Invenies Occultum Lapidem", que quer dizer:

Visite o Centro da Terra, Retificando-te, encontrarás a Pedra Oculta (ou Filosofal).

Filosoficamente ela quer dizer: Visite o Teu Interior, purificando-te, encontrarás o teu eu Oculto, ou, "a essência da tua alma humana".

Esta mensagem, originalmente da cultura universal, foi trazida para os templos maçônicos, e significa a constante busca do homem para melhorar a si mesmo e a sociedade em geral.

Ora, o psicanalista escrevera em alemão, e todas as traduções dessa língua são extremamente difíceis, haja vista, as dificuldades dos tradutores, em encontrar expressões na língua portuguesa que possam fornecer interpretações fiéis aos textos originais.

Mesmo assim, não me parece o caso, que o tradutor deste ensaio Renato Zwick, tenha tido qualquer trabalho com a palavra alemã para “narcísia”.

Mesmo por que, logo a frente, ele traduz:

(...)ela repousa sobre o orgulho da realização que já foi bem-sucedida(...)

Arrisco-me então a concluir que, o entendimento deste texto é direcionado ao campo das vaidades, como na primeira proposição.

Todavia, reservo para mim a segunda proposição, que considero particularmente, mais nobre e mais edificadora, portanto mais maçônica, já que somos homens-maçons, cuja missão é a construção de nosso eu interior.

O que consiste, em se erguer um edifício adequado para o desenvolvimento espiritual e social de cada um de nós.

Criando, desta forma, um ambiente social onde cada um, individualmente, possa exercer e aplicar suas aptidões, visando o seu crescimento e por extensão o de seus iguais: a humanidade.

[1] Neste livro, publicado em 1927, Freud procura analisar a origem da necessidade do ser humano de ter uma crença religiosa na sua vida.Editora L&PM POCKET.

[2]Sigismund Schlomo Freud (6 de maio de 1856 — 23 de setembro de 1939[3]), mais conhecido como Sigmund Freud, foi um médico neurologista austríaco e judeu, fundador da psicanálise.

Imagem do narcísio retirada do site: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Michelangelo_Caravaggio_065.jpg Acessado em 21 01 11 ás 18:17.

Imagem de Freud do site: http://psicdesenv.webnode.com.pt/temas/personalidades/sigmund-freud/ Acessado em 21 01 11 ás 18:53


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PORQUE AS PESSOAS SÃO DIFERENTES ENTRE SI ?

Para responder a questão, devemos nos ater a psicologia:

A etimologia da palavra psicologia (em grego: psiche = alma, logos = razão/conhecimento) significa conhecimento da alma, ou “estudo da alma”.

Pode ser dito então, que trata-se de uma área do conhecimento que dedica-se ao estudo científico do psiquismo, objetivando compreender o funcionamento humano, manifesto pelos estudos do comportamento, dos processos psicológicos, da personalidade, da consciência e da subjetividade.

A Psicologia Social é uma área específica e especial da Psicologia que busca compreender e estudar as interações humanas, suas influencias e suas manifestações comportamentais provocadas pela influência mútua de uma pessoa com outras, ou pela mera expectativa de tal interação.

É considerada de tal importância que sua atuação se dá em todas as especialidades da psicologia: da Educação e Escolar, da Organizacional e do Trabalho, da Clínica, da Jurídica, do Trânsito e do Esporte. E conforme (LANE CODO E OUTROS, 2001, p.19. descrito no LIVRO DE PSICOLOGIA SOCIAL, UNISUL):

“A Psicologia Social poderá responder à questão como o homem é sujeito de sua História e transformador de sua própria vida e da sua sociedade, assim como qualquer outra área da Psicologia".

A atividade, mediação e linguagem são unificadoras da relação entre sujeito e sociedade, porque envolve a importante questão: A sociedade constitui o homem, ou é este que a constitui? Como este processo ocorre?

Partindo da descrição, de que Marx faz uso do materialismo histório dialético para explicar a história da consciência humana, e defende assim, que o processo de trabalho é a principal atividade humana desde os primórdios da humanidade, pode-se compreender muito bem o duplo processo indicado:

"Transformação do meio natural para satisfazer suas necessidades de sobrevivência, ao mesmo tempo que transformaram a si próprios, uma vez que mudanças corporais e psicológicas profundas ocorreram nos seres humanos".

No texto de Serrão (2006,p.89-90) O gênero humano, ao produzir sua existência, o fez e ainda o faz necessariamente estabelecendo relações com outros seres humanos e com a natureza, da qual também é partícipe.

É importante mencionar a citação de Engels (s.d., p. 272):

"Primeiro o trabalho, e depois dele e com ele a palavra articulada, foram os dois estímulos principais sob cuja influência o cérebro do macaco foi-se transformando gradualmente em cérebro humano – que, apesar de toda sua semelhança, supera-o consideravelmente em tamanho e perfeição".

Ainda fundamentado em Marx, Leontiev defende que o psiquismo humano, desde seu nascimento e por toda sua vida, se forma pelo desenvolvimento de atividades ditas material externa e psicológica interna. Isto porque, segundo o autor, a estrutura da atividade está organizada pressupondo:

· A existência de um sujeito que atua sobre um objeto e

· É impulsionado por motivos para a realização de um objetivo.

Movida pelos objetivos, a atividade é sempre orientada para algo ou alguém, como um movimento resultante das necessidades (ou interesses) internas e externas dos sujeitos.

A mediação como unificadora da relação entre sujeito e objeto, ocorre pela utilização de instrumentos, que viabilizará a transformação no meio material, entre o homem e a natureza (externo) “de fora”.

O signo assume um sentido contrário, ou seja, (interno) “de dentro”, dirigido ao domínio do próprio homem. Serve de veículo para as operações psíquicas.(ver Simbologia na Maçonaria)

Já a Linguagem, constitui o mais amplo sistema simbólico existente, tratando-se como o principal instrumento mediador entre o o sujeito e o mundo objetivo, no processo de constituição do psiquismo humano.

O Psiquismo Humano é o objeto a Psicologia, buscando compreender como se dá a construção deste a partir das relações sociais vividas pelo homem. Para compreender o psiquismo Humano, é necessário estudar a atividade, mediação, linguagem e o método dialético. Isto porque ele é formado pela:

· relação dialética entre o sujeito e a sociedade

· pela realização de atividades e pela utilização da linguagem

· a consciência e personalidade

Descrever sobre o Psiquismo Humano, é um grande trabalho, já que demanda um enorme esforço de análise do homem. Para iniciar, penso que bastaria uma busca no próprio interior, e para tanto, bastaria nos conhecermos.

Todavia, nisto reside o grande problema, pois o que somos, foi determinado pela "atividade" que realizamos em toda a nossa existência humana. E claro, na forma como estabelecemos uma intercessão com a vida.

E vai mais além de analisar simplesmente quais os instrumentos que utilizamos, mas também em avaliar quais as transformações que provocamos no meio material e que tipo de transformações internas, psicológicas, mentais, ocorreram em função dos signos que nos foram apresentados ou escolhidos.

Finalmente, identificar e entender a linguagem que fundamentou e desenvolveu a natureza de nossas funções psicológicas superiores.

Por tanto, é certo concluir que, os aspectos citados aqui, quando dissecados, observados, analisados de forma científica, quase matemática, esclarecem profundamente por que as pessoas são diferentes entre si, no quesito “sujeito x sociedade”.

Em outras palavras, mostram claramente, o caminho a ser seguido para compreender o "psiquismo" de cada um, baseando-se no estudo da atividade, mediação e linguagem desenvolvida e/ou imposta pela vida em sociedade de cada pessoa, no decorrer de suas vidas.

nosce te ipsum...

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Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818 — Londres, 14 de março de 1883) foi um intelectual erevolucionário alemão, fundador da doutrina comunista moderna, que atuou como economista, filósofo, historiador,teórico político e jornalista.

Friedrich Engels (Barmen, 28 de novembro de 1820 — Londres, 5 de agosto de 1895) foi um teórico revolucionárioalemão que junto com Karl Marx fundou o chamado socialismo científico ou marxismo. Ele foi coautor de diversas obras com Marx, sendo que a mais conhecida é o Manifesto Comunista. Também ajudou a publicar, após a morte de Marx, os dois últimos volumes de O Capital, principal obra de seu amigo e colaborador.

Alexei Nikolaevich Leontiev (em russo: Алексей Николаевич Леонтьев) (1903 — 1979) foi um psicólogo russo. A partir de 1924, depois de graduar-se em Ciências Sociais, aos vinte anos, Leontiev passou a trabalhar com Lev Vygotsky. Foi relevante a sua participação na proposição de construção de uma psicologia cultural-histórica.

Bibliografia dos pensadores acima, disponíveis no site: http://pt.wikipedia.org/ Acessado em 17 Jan 11 às 21:45.